Black Sun: The Nanking Massacre (Hei tai yang Nan Jing da tu sha) 1995

Posted on 25/03/2011 por

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Em tempos de falta de tempo (!!), republico um dos antigos textos escritos para o Projeto 365, no longínquo ano de 2005…

Sinopse: Chineses sofrem atrocidades durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial.

Comentários: Ofuscado pelas barbaridades cometidas pelos nazistas durante o holocausto, o mundo ocidental praticamente ignora até os dias atuais a barbárie do exército japonês na invasão à China durante a Segunda Grande Guerra. A série de filmes Men Behind the Sun, produzida em Hong Kong, tenta “fazer justiça” ao sofrimento do povo chinês naquele período. Nesta quarta incursão da série (cujas partes 2 e 3 não passaram de tentativas lucrar na esteira do primeiro filme, financiadas por coreanos e dirigidas pelo picareta Godfrey Ho), o cineasta sino-taiwanês Tun Fei Mou retorna àquela que pode ser considerada a real continuação de Campo 731: Bactérias, a Maldade Humana (de 1988, lançado em VHS no Brasil pela América Video no início da década de 90). Mas enquanto no primeiro filme a história girava em torno das experiências realizadas pelos japoneses num campo de concentração na Manchúria, Black Sun mostra o que aconteceu durante a invasão da cidade de Nanquim, em 1937.

O filme conta diversas histórias simultâneas envolvendo moradores locais e membros do exército nipônico. A principal delas gira em torno de uma família destruída com a chegada dos japoneses. Os soldados invadem sua casa, e somente um tio e um casal de sobrinhos conseguem fugir. Enquanto isso, os oficiais japoneses incentivam a barbárie em seus subordinados, instituindo uma competição entre as divisões para ver qual delas mata mais chineses. Com o objetivo de “acalmar” os soldados japoneses, eles também autorizam práticas como pilhagens, estupros, espancamento e mutilações.

T. F. Mou não nos poupa de imagens revoltantes, que embora não sejam tão extremas quanto as do primeiro filme – onde se chegou a utilizar um cadáver real de uma criança em uma cena de autópsia – cumprem o papel de chocar o público, reafirmando o que muitos já sabem: guerra não é brincadeira. A passagem mais grotesca aqui, com certeza, é aquela em que um soldado japonês arranca um feto da barriga da mãe com uma baioneta.

Uma das particularidades do filme é a dramatização dos acontecimentos, reforçada pelo tom documental impregnado na narrativa. Apesar de menos sombrio que o original, aqui a credibilidade dos fatos encenados é embasada pelo uso em maior quantidade de fotos e vídeos reais da época, com imagens de decapitações, vítimas de estupros, pilhas de cadáveres, etc., além de apresentação dados estatísticos sobre os acontecimentos (datas, contagem de mortos).

A fusão de metáforas com imagens fortes é uma das peculiaridades do cineasta. Numa das mais impactantes cenas, vemos milhares de corpos sendo consumidos pelas chamas às margens de um rio. As chamas tomam os céus como se fossem o lamento de um povo massacrado (ou os espíritos dos mortos ascendendo), numa passagem grandiosa e assustadora que denuncia a tentativa de ocultação do assassinato de mulheres, crianças e inválidos durante a ocupação.

Segundo T. F. Mou, Black Sun: The Nanking Massacre é o segundo ato de uma trilogia inacabada. O último episódio (oficial), chegou a ser idealizado sob o título “No More War”, mas não é possível prever se ele chegará a ver a luz do dia, tendo em vista que o cineasta entrou para uma espécie de lista negra dos produtores asiáticos, tal a polêmica gerada pelos temas que aborda.

Certamente, Black Sun não é um filme para os mais sensíveis. Mas torna-se obrigatório para aqueles que desejam conhecer mais a fundo o lado sombrio da natureza humana.

Nota:

Ficha Técnica:
Título Original: Hei tai yang: Nan Jing da tu sha
Título(s) Alternativo(s): Men Behind the Sun 4
Direção: Tun Fei Mou
Elenco: Liang Zhang, Young Pan, Shao-tien-Hsiung e Wen-ting Chiang.
Ano: 1995
País: Hong Kong
Duração: 91 minutos

Posted in: Drama, Guerra, Suspense, Terror