Especial Oscar 2011: O Mágico (L’Illusionniste) 2010

Posted on 12/03/2011 por

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Mesmo após a cerimônia de premiação do Oscar 2011, dissemos que, na medida em que fossemos assistindo aos filmes indicados, iríamos escrever sobre eles e incluir os textos em nosso Especial.

É nesse espírito que apresento a crítica do desenho “O Mágico”, que concorreu com “Toy Story 3” e com “Como Treinar o Seu Dragão” ao Oscar de melhor filme de animação, muito embora tenha perdido a estatueta para Woody, Buzz e sua turma.

“O Mágico” (“L’Illusionniste” no original) é um filme de animação dirigido por Sylvian Chomet (o mesmo de “As Bicicletas de Belleville”) que adapta um roteiro original escrito por Jacques Tati (de “Meu Tio”).

O filme se passa nos anos 50 e conta a triste história de um mágico francês (chamado Tatischeff, em homenagem a Jacques Tati), cuja carreira se encontra em declínio. Ele está perdendo espaço para atrações mais modernas e seu público diminui cada vez mais.

As oportunidades de trabalho vão se tornando escassas e o mágico passa a viajar em busca de locais onde se apresentar.

Atendendo a um convite para se apresentar em uma ilha na Escócia, o mágico (voz de Jean-Claude Donda) chega a uma pequena taverna, na qual conhece a menina Alice (voz de Eilidh Rankin), que fica fascinada com seus truques de mágica. Notando que Alice usa sapatos muito velhos, o Mágico, num gesto de bondade, lhe dá de presente um par de novos.

Quando o mágico embarca para a cidade de Edimburgo, descobre que a menina Alice o seguiu e passa a acolhê-la. Ele se esforça para encontrar novos trabalhos que lhe permitam sustentar os dois, bem como presentear Alice com as coisas que ela deseja.

O problema é que a jovem acredita que Tatischeff é capaz de produzir coisas num passe de mágica, sem se dar conta da dura realidade. O mágico busca, enquanto pode, manter para Alice a ilusão de que seus presentes são criados magicamente.

O filme é visualmente primoroso, com cenários e personagens desenhados à mão. Merecem atenção especial as paisagens e as cidades visitadas pelo personagem principal em suas viagens (Paris, Londres e Edimburgo).

Em uma época em que os desenhos são feitos na base da computação gráfica, as belas ilustrações de “O Mágico” se destacam e impressionam, nos dando até a sensação de que estamos diante de uma história em quadrinhos (só que animada).

O filme faz muito pouco uso de diálogos, preferindo dar enfoque às imagens. As breves frases trocadas entre os personagens são em três idiomas: francês, inglês e gaélico. A idéia é que o espectador se deixe conduzir pela sequência de cenas.

Contudo, o maior ponto fraco de “O Mágico” é o “timing”, o passo do filme é  demasiado lento. Suponho que quiseram que ele se desenvolvesse mais lentamente para reforçar sua atmosfera melancólica, mas acho que exageraram. O resultado é que o filme se arrasta e pode entediar o espectador.

Além disso, o filme não transmite uma mensagem positiva, retrata a mudança dos tempos e o ocaso de artistas de palco semelhantes ao mágico (que não conseguem dar a volta por cima e encontrar uma atividade alternativa), caminhando para uma triste conclusão.

Já “Toy Story 3”, o vencedor do Oscar, apesar de abordar o crescimento de Andy e seu gradativo desapego aos brinquedos da infância, passa uma mensagem positiva ao final, através do destino que Andy decide dar aos seus bonecos. Por outro lado, é um desenho desenvolvido por computação gráfica e, por esse motivo, não apresenta imagens feitas à mão como “O Mágico”.

Assim, para quem gosta de animação e sente saudade de um desenho mais clássico, segue abaixo o trailer de “O Mágico”, disponível no site do Youtube:

Classificação:

Ficha Técnica:

Título Original: L’Illusionniste
Título Nacional: O Mágico
Direção: Sylvain Chomet
Roteiro: Jacques Tati, Sylvain Chomet
Elenco Principal: Jean-Claude Donda, Eilidh Rankin e Duncan MacNeil
Gênero: Animação, drama
Ano: 2010 (lançado no Brasil em janeiro de 2011)
País: França, Reino Unido
Duração: 80 min

Posted in: Animação, Drama