Dante 01: Prisão Espacial (Dante 01) 2008

Posted on 06/03/2011 por

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Sinopse: Em um futuro desconhecido, um centro de detenção psiquiátrico situado na órbita de  um distante plateta  tem sua rotina alterada com a chegada de dois novos habitantes: uma genetecista trazendo um tratamento experimental e um prisioneiro com poderes especiais.

Comentários: Dante 01 é o terceiro longa do francês Marc Caro, mas o primeiro que ele dirige sozinho. Os dois filmes anteriores, “Delicatessen” (1991) e “Ladrão de Sonhos” (1995),  dirigidos em parceria com Jean-Pierre Jeunet (que posteriormente dirigiria “Alien – A Ressurreição” e “O Fabuloso destino de Amélie Poulain”, dentre outros), foram sucessos de público e crítica. Treze anos depois de sua última experiência na direção de um longa, o que poderíamos esperar de seu primeiro trabalho solo?

Dante 01 conta a história de uma estação espacial homônima, que na verdade é um centro de detenção e pesquisas para prisioneiros condenados que trocaram a pena capital por servirem de cobaias em experimentos de alteração comportamental. Ela orbita um planeta em chamas, chamado “Dante”. A chegada da espaçonave “nº 2”, enviada pela companhia proprietária da estação, traz dois novos habitantes: Elisa (Linh Dan Pham), uma genetecista desenvolvedora de um método experimental a base de nanotecnologia; e um prisioneiro desconhecido, que logo é apelidado de “Saint-Georges” (“São Jorge”, vivido por Lambert Wilson).

Os sete prisioneiros-cobaia vivem confinados em uma área reservada da estação e são liderados por César (Dominique Pinon, ator que sempre aparece nos filmes de Caro e Jeunet). Apesar de transitarem livremente dentro dessa área de detenção, os presos são monitorados pelo diretor da estação, Charon (“Caronte”, interpretado por Gérald Laroche), auxiliado por dois seguranças (CR e BR, ou “Cérbero”).

Quando o novo prisioneiro é inserido dentre os detentos, uns o recebem como um messias, outros o vêem como ameaça, o que faz com que se dividam em dois grupos rivais. Saint-Georges não se comunica (vive entre convulções e um estado de catatonia), mas observa os outros prisioneiros com uma espécie de “visão de raio-x”, onde vê criaturas com tentáculos dentro de seus corpos. Quando a Dra. Elisa começa a experimentar com injeções contendo estruturas nanotecnológicas destinadas a alterar o DNA e o comportamento dos presos, Saint-Georges passa a comer (isso mesmo!) as criaturas com tentáculos (aparentemente só vistas por ele) que  retira de dentro dos presos, curando-os (e até ressussitando-os) de forma miraculosa.

Entretanto, um dos presos trabalhando secretamente para o diretor Charon (qual diretor de uma prisão entregaria sua senha a um interno de manicômio?), altera propositalmente os comandos da estação espacial de forma que ela deixa sua órbita e segue em rota de colisão com o planeta, o que faz com que guardas e prisioneiros se aliem para tentar salvar suas vidas.

Já se deve ter percebido que Dante 01 é cheio de referências à Divina Comédia, sendo inclusive dividido em círculos (mas aqui são apenas três, ao invés dos nove da obra de Dante Alighieri).  Também apresenta diversas metáforas religiosas, como a estação em forma de cruz e a chegada do “messias” São Jorge. Mas isso não conta pontos a favor do roteiro, que é confuso, corrido e inconclusivo (alguns podem entender que é muito aberto a interpretações).

Antes de tudo, Marc Caro é um visionário. Percebe-se que seu negócio é criar imagens diferenciadas, que dão uma cara bem peculiar aos filmes em que participa. Mas também fica claro em Dante 01 que contar histórias não parece ser seu forte (ele também é o roteirista).

Diz-se que ele meio que “excomungou” o filme depois de assistir a versão final, pondo culpa da bagunça resultante nos responsáveis pela montagem. Mas, mesmo que a curta duração do corte final tenha prejudicado o andamento do filme (que começa lento, mas na segunda metade se torna picotado claramente para comportar o resto da história), nada justifica os mais de cinco minutos de imagens viajantes no estilo “2001: Uma Odisséia no Espaço” que fecham o filme. Aliás, visto por esse ângulo, a película copia não só o 2001 de Kubrick/Clarke, mas também o “Alien 3” de David Fincher/Vicent Ward (prisão espacial e criaturas dentro de hospedeiros humanos), e até mesmo “À Espera de um Milagre” de  Darabont/King (prisioneiro abobalhado que faz milagres), o que revela que originalidade também não é o forte do roteiro.

O lado positivo fica por conta das boas atuações (Lambert Wilson, Dominique Pinon e Francois Levanthal em especial), da direção de arte (interessante a divisão das áreas em tons de roxo escuro para a dos os guardas/cientistas e verde e laranja para a dos presos), fotografia e efeitos especiais. Mas não penso que esses fatores sejam suficientes para disfarçar todos os buracos do roteiro, narrativa e edição. Marc Caro fica devendo um grande filme àqueles que acompanham seus trabalhos. Quem sabe um reencontro com seu antigo parceiro de películas não seria capaz de resolver isso?

Nota:

Ficha Técnica:

Título Original: Dante 01
Título Nacional: Dante 01: Prisão Espacial
Direção: Marc Caro
Elenco: Lambert Wilson, Linh Dan Pham, Dominique Pinon, Francois Levanthal, Lotfi Yahya Jedidi e Gérald Laroche.
Ano: 2008
País: França
Duração: 82 minutos

Posted in: Ficção