Across the Universe (2007)

Posted on 03/03/2011 por

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O filme chegou à minha casa emprestado pela chefe da minha esposa.  O DVD estava sobre a mesa de jantar.  Peguei, olhei a capa e julguei que seria mais um filme de mulherzinha (nada contra, pelo contrário!) e larguei-o novamente sobre a mesa.  Mas minha esposa insistiu em assisti-lo e eu acomodei-me na cadeira de balanço para não arrumar briga.  Antes do meio do filme, eu já o havia pausado para pesquisar sobre ele, em busca de entendê-lo melhor.  Eram tantas informações cifradas aparecendo na tela (alusões a fatos reais históricos, participações especialíssimas, metáforas…) que eu tive medo de perder alguma coisa.  De fato, perdi algumas, mas peguei várias outras.

Trata-se, na verdade, de uma grande viagem pelos anos 1960.  Tudo o que aconteceu na Era de Aquarius está retratado ali: a Guerra do Vietnã, o Massacre de Detroit, o Protesto da Universidade de Columbia, o Assassinato de Martin Luther King, os hippies, liberação sexual, drogas, psicodelismo e rock’n’roll – e, permeando toda a trama, obviamente, o maior símbolo dessa época, a banda de maior sucesso de todos os tempos: os Beatles.  É como se toda a história fosse contada a partir das músicas do quarteto de Liverpool, como se todas as suas músicas fizessem sentido na narrativa dos fatos históricos ocorridos naquela época.

Só para se ter uma ideia da magnitude desses exemplos todos, permito-me citar alguns: as primeiras cenas do filme foram filmadas no Cavern Club, em Liverpool; a maçã verde cortada ao meio faz alusão à Apple Studios, gravadora dos Beatles; o concerto no telhado interrompido pela polícia por perturbar a vizinhança rememora um fato vivido também pelos Beatles, os personagens Sadie e Jo-Jo rememoram Janis Joplin e Jimy Hendrix; os nomes dos personagens não foram escolhidos à toa (Jude, Lucy e Prudence são personagens de músicas dos Beatles); o ônibus colorido é semelhante ao do Magical Mistery Tour dos Beatles…  Quanto às participações especiais, ver Salma Hayek, Joe Cocker e Bono Vox cantando músicas dos Beatles, dispensa maiores comentários.  São tantas coisas que o filme mais parece uma brincadeira de faz de conta misturada com adivinhe se puder – uma verdadeira teia de charadas.

Na cena submersa, o casal Jude e Lucy repetem a pose de Lennon e Yoko Ono na capa da Rolling Stone

Na cena submersa, o casal Jude e Lucy repetem a pose de Lennon e Yoko Ono na capa da Rolling Stone

Tudo isso permeado com ótimas interpretações artístico-musicais.  Coreografias, arranjos, interpretações vocais, som, fotografia, tudo é irrepreensível.  O cuidado com a produção chega a extremos bizarros, como a cuidadosa aparição de um trompete idêntico ao segurado por Ringo Starr na capa do Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band no canto da cena em que Jude descobre que Lucy o abandonou.

Bom para quem gosta de romance, bom para quem gosta de musicais, bom para quem gosta de Nova Iorque, bom para quem gosta de História, bom para quem gosta de achar mensagens ocultas em símbolos, bom para quem é, simplesmente, fã de Beatles (quem não é?), o filme é digno de ser aclamado um verdadeiro espetáculo!  Ninguém deve perder a chance de comprar o seu Ticket to Ride nesse brilhante trabalho (esse trocadilho foi por minha conta).

Nota:

Posted in: Musical