The Troll Hunter (Trolljegeren) 2010

Posted on 02/03/2011 por

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Sinopse: Equipe de universitários tenta documentar a vida de um caçador de ursos clandestino, quando descobre que suas presas são algo bem maior.

Comentários: Os países nórdicos atualmente têm se mostrado um verdadeiro celeiro cinematográfico. Filmes recentes como “Guerreiros de Jade” (Finlândia, 2006), “Deixa ela Entrar” (Suécia, 2007) e a trilogia “Millennium” (Dinamarca/Suécia/Noruega, 2009) são a prova disso. Aliás, não é a toa que os norte americanos, ávidos por roteiros originais – mas incapazes de emplacar comercialmente filmes “com legenda” –  estão produzindo remakes dos dois últimos, com atores ianques.

Eis que da Noruega surge Trolljegeren, lançado internacionalmente como “The Troll Hunter” (ainda inédito no Brasil). O filme é uma espécie de mockumentary, um documentário falso que, em termos de narrativa, não traz nada de novo: ele segue a linha de “A Bruxa de Blair” (1999), “Cloverfield” (2008) e, é claro, do seminal “Canibal Holocausto” (de 1980, já citado no post sobre “Caltiki, Il Mostro Immortale”).

Na abertura, vemos (ou melhor, lemos) aquele blá blá blá sobre “essa fita foi recebida anonimamente…”, e nos é mostrado um grupo de universitários entrevistando caçadores legalizados de urso revoltados com um caçador sem licença que anda abatendo esses animais numa cidade da Noruega. Eles investigam e descobrem que o “contraventor” se chama Hans (vivido pelo controverso comediante norueguês Otto Jespersen) e que ele mora em um trailer imundo, estacionado em um acampamento da cidade. O trio de estudantes tenta conversar com o homem sobre o assunto, mas o mal humorado caçador, a princípio, os afasta.

Os universitários passam então a perseguí-lo em sua viagem pelo oeste do país, quando, inevitavelmente, descobrem que o homem não caça ursos, e sim trolls, criaturas mitológicas gigantescas que todos pensavam ser lenda. Cansado de fazer um trabalho sujo por um baixo salário, e sem reconhecimento algum – ele faz parte de uma “conspiração” do governo norueguês para acobertar a existência dos monstros –  Hans concorda em deixar a equipe acompanhá-lo em suas caçadas, enquanto, do seu jeito rude, vai explicando a natureza das criaturas, suas espécies, etc.

A diferença de The Troll Hunter para os outros filmes do gênero citados acima é que ele intercala momentos de suspense e terror com cenas de humor involuntário (vide o fato de o protagonista ser vivido por um humorista), mas tudo apresentado de uma forma séria, documental. Entretanto, é  impossível não rir de cenas como a da flatulência dos trolls na caverna.

Contando com efeitos especiais de ótima qualidade (as criaturas, embora caricatas, são muito bem feitas), áudio idem (se assistido em um bom home theather, dá para se sentir perseguido pela respiração e passos pesados dos monstros), e imagens espetaculares (belíssimas paisagens dos fiordes e montanhas da Noruega) a película é uma agradável surpresa.

Aliás, abro outro parêntesis para falar sobre os trolls do filme. Apesar de terem sido feitos digitalmente, lembram muito as criaturas animadas à mão pelo grande Ray Harryhausen. Ao contrário de outros monstros digitais de Hollywood nos dias de hoje, os trolls aqui tem reações dramáticas, tem expressividade, tais quais as saudosas criações do mestre do stop motion.

Dirigido e escrito pelo estreante André Øvredal (um nome a ser acompanhado), The Troll Hunter mostra que o bom cinema fantástico não está restrito às produções megalomaníacas – e descartáveis – de Hollywood. Infelizmente, algumas companhias norte-americanas que ainda não entenderam isso já demostraram interesse em fazer um remake do filme. Tudo para ganhar dinheiro em cima de analfabetos funcionais que acham que o mundo se restringe à terra do Tio Sam. Tais quais os trolls, velhos hábitos tem vida longa…

Nota:

Ficha Técnica:

Título Original: Trolljegeren
Título Internacional: The Troll Hunter
Direção: André Øvredal
Elenco: Otto Jespersen, Glenn Erland Tosterud, Johanna Mørck, e Hans Morten Hansen.
Ano: 2010
País: Noruega
Duração: 99 minutos