Especial Oscar 2011: REINO ANIMAL (Animal Kingdom) 2010

Posted on 02/03/2011 por

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Sinopse: Rapaz de dezessete anos vai morar com a avó e seus tios criminosos depois que sua mãe morre de overdose.

Comentários: Lançado em 2010, Reino Animal apareceu em diversos festivais de cinema desde então, conseguindo abocanhar o prêmio do Grande Juri em Sundance na categoria “Cinema Mundial – Drama”. Além disso, a australiana Jacki Weaver recebeu alguns prêmios como melhor atriz coadjuvante, chegando a concorrer ao Oscar de 2011 nessa categoria – acabou perdendo, justificadamente, para Melissa Leo, que fez um excelente trabalho em “O Vencedor”.

A história do filme é centrada em “J” (James Fresheville), um rapaz de dezessete anos que presencia a morte de sua mãe por overdose de heroína. Após os paramédicos levarem o corpo e dele responder algumas perguntas à polícia (a quem mente ser maior de dezoito anos), “J” fica desnorteado sobre o que fazer dali para a frente. O jovem liga para sua avó, Janine (Jacki Weaver), com quem ele e sua mãe não tinham contato há anos, e pede auxílio com os trâmites funerários.

Sem ter para onde ir, ele vai morar com avó e seus tios, e descobre que toda a família é uma quadrilha de criminosos, envolvidos com assaltos e drogas. Seu tio mais velho, Pope (Ben Mendelsohn), encontra-se foragido da polícia, mas visita secretamente a família.

A aparente estabilidade da família é destruída quando os policiais assassinam Barry (Joel Edgerton), o mais sensato dos tios. De volta ao lar, Pope – que aos poucos se revela um psicopata frio e calculista – arma um plano de vingança para matar policiais aleatórios, o que acaba enfurecendo ainda mais os homens da lei. É quando surge o Detetive Leckie (Guy Pearce), que vê em “J” o elo fraco da família para se chegar à comprovação da autoria dos crimes.

Reino Animal, um filme australiano escrito e dirigido pelo estreante em longas David Michôd, acabou tendo um resultado lento e inconclusivo. Apesar da sensação de morosidade que o filme passa, ele dá saltos na história, comendo cenas importantes para, sem explicação alguma, seguir na trama (como a cena do julgamento, que nunca é mostrada). Isso pode confundir e até irritar o espectador médio, motivo pelo qual imagino que não tenha sido uma boa opção.

Já a trilha sonora é um capitulo à parte. Composições que funcionam como paisagens lembram o clima de algumas viagens do Pink Floyd na era pré Dark Side of the Moon. O tema sinfônico/eletrônico executado durante os créditos iniciais (acompanhando imagens congeladas de assaltos capturados por câmeras de circuito interno) dá a sensação que estamos diante de um filme memorável, mas a medida que os minutos vão se passando, percebemos que a película não é tão boa quanto a música que a embasa.

Quanto às atuações, não achei a indicada ao Oscar (Jackie Weaver) tão impressionante como falam. Fez um bom trabalho, mas ficou aquém de uma atuação “oscarizável”. Em relação ao ator que vive “J”, o personagem principal, fiquei com a sensação que poderiam colocar uma porta no lugar dele que daria no mesmo (vai ver essa era intenção). Os demais membros da família aparecem bem interpretados. Já Guy Pearce está apenas burocrático (parece estar ali só pelo “ganha pão”).

No fim, fica a impressão de que a direção errou a mão ao tentar forçar um viés artístico em um roteiro que trazia uma grande idéia por si só. Mas essa é apenas uma opinião pessoal. Afinal, quem sou eu para contestar o juri de Sundance?

Apenas aconselho que assistam o filme e tirem suas própria conclusões.

Nota:

Ficha Técnica:

Título Original: Animal Kingdom
Título Nacional: Reino Animal
Direção: David Michôd
Elenco: James Frecheville, Jacki Weaver, Guy Pearce, Joel Edgerton, Sullivan Stapleton, Ben Mendelsohn e Luke Ford.
Ano: 2010
País: Austrália
Duração: 113 minutos

Posted in: Drama, Policial