Especial Oscar 2011: A REDE SOCIAL (The Social Network) 2010

Posted on 26/02/2011 por

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Sinopse: Filme que conta a conturbada história da criação do Facebook, que, de uma simples idéia de estudantes universitários, se transformou em uma empresa avaliada em 25 bilhões de dólares.

Comentários: A Rede Social é um dos filmes mais premiados de 2010/2011, e agora concorre em nada menos que oito categorias ao Oscar neste ano. O cineasta por trás dessa façanha é um velho conhecido: o americano David Fincher, diretor de sucessos como “Alien 3” (1992), “Seven – Os Sete Pecados Capitais” (1995), “Clube da Luta” (1999) e “O Curioso Caso de Benjamin Button (2008)”. Além disso, dirigiu vídeos promocionais para diversos artistas, como Madonna, Sting, George Micheal e Aerosmith, fato que lhe rendeu a alcunha pejorativa de “clipeiro” no início da carreira. Com essa base, A Rede Social realmente faz juz a todo esse hype?

O filme conta a história da criação de uma das mais importantes redes de relacionamento da Internet, o Facebook, através de lembranças dos personagens envolvidos enquanto eles se encontram em negociação litigiosa pela “paternidade” da rede social. Desde o início, vemos que o principal criador do Facebook, o aluno de Harvard Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), é um completo calhorda. Sem a menor sensibilidade, ele ofende a namorada, que acaba terminando a relação. Vingativo, ele cria um blog para ofender a garota que o dispensou. Tentando se esquecer do fora que levou, Mark tem a idéia de criar um site com as fotos das estudantes de Harvard para que outros alunos elejam a mais gostosa. Ele “hackeia” vários sites de fraternidades para obter as fotos, e monta o sistema de votações a partir de um algoritmo criado por seu amigo e co-fundador do Facebook, o brasileiro Eduardo Severin (vivido pelo futuro Homem-Aranha Andrew Garfield – ele está em todas…).

Vejam bem: só na primeira noite retratada pelo filme testemunhamos diversas atitudes que demonstram o mau-caratismo do personagem principal. E não para por aí. O protagonista ainda vai trair muita gente – inclusive seu melhor amigo – antes do fim da película.

Sinceramente, fiquei confuso sobre as intenções do filme. Não sei se A Rede Social é uma denúncia ou uma ode à canalhice. Fora das telas, o verdadeiro Mark Zuckerberg sempre é tratado como um modelo de empreendorismo norte-americano, “o mais jovem bilionário do mundo”. Até o presidente Barak Obama o recebeu na Casa Branca. Mas o que Finch mostra na tela é uma pessoa inescrupulosa, que toma atitudes questionáveis motivado simplesmente por seu ego, e isso pegou pesado na imagem do “queridinho” da América. Fato é que, a partir do lançamento do filme, o verdadeiro Mark Zuckerberg passou a fazer doações filantrópicas, tentando limpar sua barra.

Passado meu desabafo quanto às motivações do filme, vamos à análise de alguns de seus aspectos técnicos aos quais concorre em categorias específicas no Oscar 2011.

Direção: a direção se David Fincher é segura, mas A Rede Social está a anos luz de ser seu melhor trabalho.

Fotografia: o filme é escuro na maior parte do tempo. E quando temos cenas de dia – como a da competição de remo – a imagem é “borrada”. Em suma, a fotografia é diferenciada, mas não me convenceu.

Edição: a história é contada de maneira não linear. Memórias de diversos personagens vão montando a trama. A alternância entre os segmentos é bem sutil, o que para mim aparenta uma edição “invisível”. Pessoalmente, gosto mais de edições “descontroladas” (tipo as dos filmes do Sam Peckinpah…).

Trilha sonora: as músicas de sonoridade eletrônica criadas por Trent Reznor (do Nine Inch Nails) e Atticus Ross combinam perfeitamente com o filme. O uso de uma versão eletrônica de “Peer Gynt” (Na Gruta do Rei da Montanha) de Grieg me lembrou a trilha sonora de “Laranja Mecânica” (1971), onde o compositor Walter Carlos (hoje Wendy Carlos…) programou Beethoven, Rossini e cia. em sintetizadores da década de setenta. E o encerramento com os Beatles mandando “Baby you’re a richman” só conta pontos a favor.

Atuações: são convincentes, mas nada além disso. O Zuckerberg de Jesse Eisenberg (que concorre à estatueta na categoria “Melhor Ator Principal”), parece sofrer da síndrome de Asperger, mas eu não encontrei qualquer informação relacionando o programador na vida real a essa condição. O polivalente Andrew Garfield está bem; já Justin Timberlake como Sean Parker (o criador do Napster) está meio “canastra”.

Roteiro: o filme concorre também na categoria “Melhor Roteiro Adaptado”. A estória contada é interessante, mas não a ponto de merecer um Oscar (“Inverno na Alma”e “127 Horas”, outros concorrentes nessa categoria, são bem mais cativantes). Além disso, alguns diálogos beiram o ridículo (“You’re not an asshole, Mark… you’re just trying so hard to be”).

Pelos comentários acima, pode-se ter a impressão que o filme não é bom. Mas, ao contrário disso, A Rede Social está longe de ser um filme ruim. Só não acho que ele faz juz a todos os holofotes que tem recebido, até pelo potencial de um diretor do quilate de David Fincher. Considero-o uma película mediana que, arrisco opinar, não deixará grandes marcas na história do cinema, quiçá na filmografia do cineasta. E o Facebook? Será relevante daqui a cinco anos? Vamos aguardar.

Nota:

Ficha Técnica:
Título Original: The Social Network
Título Nacional: A Rede Social
Direção: David Fincher
Elenco: Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Max Minghella e Rashida Jones.
Ano: 2010
País: Estados Unidos
Duração: 120 minutos

Posted in: Biográfico, Drama