Especial Oscar 2011: CISNE NEGRO (Black Swan) 2010

Posted on 18/02/2011 por

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Dando início ao especial do Oscar, posto minhas impressões sobre um dos filmes mais cotados para receber a estatueta deste ano.

Esclareço que nosso objetivo não é comentar todos os concorrentes à categoria principal. Tampouco restringiremos o blog nesse período aos filmes indicados (outras resenhas de filmes diversos já estão “no forno”, segundo o Eduardo e Johnny).

Passadas as preliminares, vamos ao que interessa:

Sinopse: Tímida integrante da Companhia de Ballet de Nova Iorque é escalada para o papel principal em uma nova versão de “O Lago dos Cisnes”. Entretanto, a pressão da mudança e o medo do fracasso acabam trazendo à tona antigos segredos.

Comentários: Nunca sabemos direito o que esperar dos filmes de Darren Aronofsky. Depois de flertar com o metafísico em “A Fonte da Vida” (2006) e com o realismo em “O Lutador” (2008), o cineasta novaiorquino retorna ao drama/horror com tintas psiquiátricas que marcou seus primeiros longas (“Pi” de 1998 e “Réquiem para um Sonho” de 2000).

Antes de tudo, “Cisne Negro” é um legítimo representante do cinema fantástico. Eu arriscaria até dizer que é uma peça de horror moderno, com influências que passam por Hitchcock e Argento. Acrescente ainda algumas cenas de “forte erotismo” (masturbação, lesbianismo), um espetacular trabalho de câmeras e atuações que beiram a perfeição.

O filme conta a história Nina (Natalie Portman), bailarina que mora com a mãe controladora – que também foi bailarina. Diante da aposentadoria forçada da estrela do balé de Nova Iorque (Winona Ryder), o diretor artístico Thommas (Vincent Cassel) procura um novo nome, desconhecido do público, para protagonizar uma nova versão do clássico “O Lago dos Cisnes”. Ocorre que nessa adaptação do clássico, a mesma interprete fará dois papéis principais: o Cisne Branco e o Cisne Negro.

Para Thommas, Nina é a bailarina perfeita para encarnar o Cisne Branco. Entretanto, ele considera o apreço pela técnica e a personalidade contida que ela possui obstáculos para o papel do Cisne Negro, que requer imperfeição e sensualidade.

No meio disso tudo, surge Lily (Mila Kunis), uma bailarina vinda de São Francisco que possui um estilo de vida “baladeiro” (regado a álcool, drogas e sexo) e que representa o oposto da frágil Nina. Mesmo assim, ela consegue o papel de substituta da principal.

As pressões e assédios do diretor artístico para que Nina se transforme no Cisne Negro, personagem que representa tudo que ela não é (ou pelo menos que está enrustido), acabam por fazer aflorar na dançarina um comportamento indesejável que ela mantinha aparentemente sob controle. Além de furtar pequenos objetos da antiga bailarina principal (que genial ironia terem escalado justo Winona Ryder, cleptomaníaca na vida real, para o papel da “surrupiada”…), ela começa a se automutilar, maculando a pele em surtos de coceira ou roídas de unha, e passa a sofrer alucinações (TOC? Esquizofrenia?). Esse comportamento parece se agravar, à medida que sua personalidade vai incorporando o Cisne Negro e a data da grande apresentação se aproxima.

Já tendo revelado mais do que o desejável sobre a história, encerro meus comentários declarando que considero Cisne Negro uma obra-prima instantânea. Seja pela suas qualidades técnicas, seja pela coragem de colocar certas imagens na cara do espectador mediano que acompanha o Oscar como um Oráculo de Delfos moderno. Adepto de películas “incomuns” que sou, fico na torcida para que o filme de Aronofsky leve a estatueta neste ano.

Nota:

Ficha Técnica:
Título Original: Black Swan
Título Nacional: Cisne Negro
Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Vincent Cassel, Winona Ryder.
Ano: 2010
País:  EUA
Duração: 108 minutos

Posted in: Drama, Suspense, Terror