2010 – O Ano em que Faremos Contato (2010: The Year We Make Contact) 1984

Posted on 17/02/2011 por

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Ano passado, enquanto pesquisava preços para adquirir a versão em Blu-Ray de “2001: Uma Odisséia no Espaço”, lançada em 2008, verifiquei que também estava disponível a versão em Blu-Ray de “2010 – O Ano em que Faremos Contato”, lançada em 2009.

Foi então que me dei conta que nunca tinha visto a continuação de 2001 e, desde então, fiquei curioso de assistir ao filme, apesar de ter ciência da existência de comentários negativos a seu respeito. Contudo, tive dificuldade de encontrá-lo para locação.

Até que na semana passada, durante uma conversa com o Fábio sobre os filmes de ficção postados no blog, o nome 2010 veio à tona e ele me disse que tinha o filme em DVD caso eu quisesse pegar emprestado.

Diante dessa oportunidade, decidi assistir ao filme e tirar minhas próprias conclusões.

O filme começa com uma gravação, que seria a última mensagem transmitida pelo astronauta Dave Bowman (Keir Dullea) antes de seu desaparecimento: “Meu Deus…é cheio de estrelas!” (“My God…it’s full of stars!”). A frase não é dita por Dave no filme anterior, mas é provável que conste do livro 2001, escrito por Arthur C. Clarke.

Em seguida, é apresentado um relatório do Dr. Heywood Floyd, ex-presidente do Conselho Nacional de Astronáutica, que recorda os acontecimentos de “2001: Uma Odisséia no Espaço”.

Após os créditos iniciais, a trama do filme realmente se inicia. O Dr. Heywood Floyd (Roy Scheider), que havia sido o responsável pela missão Discovery, recebe a visita de um russo, Dimitri Moisevitch (Dana Elcar).

Moisevitch revela que os russos sabem que os americanos estão construindo a espaçonave Discovery 2 para retornar a Júpiter e descobrir o que aconteceu com os tripulantes da Discovery, bem como para examinar o grande monolito. Diz que os americanos, por sua vez, sabem que os russos estão construindo a espaçonave Alexei Leonov para atingir o mesmo fim.

A espaçonave russa, segundo Moisevitch, irá alcançar a Discovery quase um ano antes dos americanos estarem preparados, porém os russos necessitam obter certas informações ou, caso contrario, poderiam sofrer o mesmo destino dos tripulantes da Discovery. Os russos têm interesse em acessar os dados armazenados no computador HAL-9000 da Discovery, mas, por não estarem familiarizados com o sistema da Discovery, levariam, segundo o Dr. Floyd, três ou quatro meses para reativar HAL e ainda mais tempo para compreender os dados.

Os russos se vêem diante do seguinte dilema: possuem uma espaçonave capaz de alcançar a Discovery primeiro, mas os americanos detém o conhecimento necessário para fazer com que a viagem seja bem sucedida.

Assim, os russos se dispõem a levar um trio de americanos a bordo da Alexei Leonov, comandada por Tanya Kirbuk (Helen Mirren), para auxiliá-los na missão. O trio é composto pelo Dr. Walter Curnow (John Lithgow), engenheiro encarregado da construção da Discovery 2, o que tem maior conhecimento sobre a Discovery e o único capaz de ligá-la num curto período de tempo; Dr. R. Chandra (Bob Balaban), o criador de HAL e o mais apto a reativá-lo; o próprio Dr. Heywood Floyd.

Enquanto a Alexei Leonov e sua tripulação seguem em direção à Júpiter, na terra as tensões políticas entre os Estados Unidos e a União Soviética aumentam a ponto de colocar as duas potências à beira de uma guerra (é preciso lembrar que o filme é de 1984, época em que as pessoas não conseguiam imaginar que a guerra fria fosse chegar ao fim e, muito menos, cogitar que a União Soviética se dissolveria nos anos 90).

Após terminar de assistir ao DVD, não achei “2010 – O Ano em que Faremos Contato” um filme ruim, o elenco é bom e Roy Scheider e Helen Mirren estão bem em seus respectivos papéis. O que mais o prejudica é sua inevitável comparação com o antecessor, dirigido por Stanley Kubrick.

No entanto, comparar os dois filmes é até covardia…

“2001: Uma Odisséia no Espaço” é uma obra-prima de Stanley Kubrick, um marco dos filmes de ficção científica, que revolucionou todo o gênero. Muitos o consideram, ainda hoje, o melhor de todos os filmes de ficção científica. Dentre suas características estão: a ausência de narrativa, o pouco uso de diálogos, a utilização da música como complemento às imagens, a atmosfera de mistério que coloca o espectador diante de uma série de indagações e, sem lhe oferecer respostas, o incentiva a interpretar os acontecimentos e a tirar suas próprias conclusões.

“2010 – O Ano em que Faremos Contato” tem uma abordagem totalmente diferente do antecessor, explicando ao espectador tudo que está acontecendo, bem como as motivações dos personagens. O filme também apresenta respostas para questões que “2001: Uma Odisséia no Espaço” propositalmente deixava em aberto, como a razão do mal funcionamento de HAL e a natureza do monolito.

Por esse motivo, os fãs de Kubrick costumam reagir com indignação a “2010 – O Ano em que Faremos Contato”, entendendo que seu diretor comete um verdadeiro sacrilégio ao procurar explicar questões que Kubrick optou por deixar sem resposta.

Todavia, não devemos esquecer que “2001: Uma Odisséia no Espaço” é um filme baseado no primeiro de uma série de quatro livros escritos por Arthur C. Clarke: “2001: A Space Odyssey”; “2010: Odyssey Two”; “2061: Odyssey Three”; “3001: The Final Odyssey”. Infelizmente eu não li a série para saber até que ponto o próprio Arthur C. Clarke não esclareceu em seu segundo livro os mistérios do primeiro.

Para aqueles que leram os livros escritos por Arthur C. Clarke e encaram o filme de Kubrick como a versão para a tela da primeira parte da história, pode ser interessante assistir à continuação para compará-la com o segundo livro da série.

Para os que aprenderam a apreciar o gênero ficção científica em grande parte por causa de “2001: Uma Odisséia no Espaço” e estão satisfeitos com suas próprias interpretações sobre os mistérios do filme, caso tenham curiosidade de assistir à continuação, podem se decepcionar com as explicações que “2010 – O Ano em que Faremos Contato” dá sobre o comportamento de HAL no filme anterior e a natureza do monólito. Eu particularmente não gostei da explicação oferecida em 2010 para o comportamento de HAL em 2001.

Para os fãs incondicionais de Stanley Kubrick, é recomendável passar longe do filme de Peter Hyams, pois, caso assistam a ele, sua reação provavelmente será: Close the door, HAL and keep it shut.

Em todo o caso, segue abaixo o trailer de 2010, disponível no site do Youtube:

Classificação:

Ficha Técnica:

Título Original: 2010: The Year We Make Contact
Título Nacional: 2010 – O Ano em que Faremos Contato
Direção: Peter Hyams
Roteiro: Arthur C. Clarke e Peter Hyams
Elenco Principal: Roy Scheider, John Lithgow, Helen Mirren, Bob Balaban e Keir Dullea
Gênero: Ficção
Ano: 1984
País: Estados Unidos
Duração: 116 min

Posted in: Ficção