Caltiki, il Mostro Immortale (1959)

Posted on 16/02/2011 por

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Enquanto nossos demais colaboradores travam uma batalha contra a falta de tempo para escrever novas resenhas, posto mais um dos antigos textos publicados originalmente no Projeto 365.

Este em específico, é uma adaptação do texto escrito em 2005 para a sessão “Cinema-Bis”, espaço semanal dedicado a comentar filmes copiam as idéias de sucessos anteriores.

Aproveito para anunciar que teremos, em breve, um especial “Oscar 2011”, com alguns dos principais filmes que estão concorrendo à estatueta de ouro.

Mas vamos ao filme do dia:

Sinopse: Expedição na selva mexicana encontra criatura radioativa com vinte milhões de anos de idade e que se alimenta de carne humana.

Comentários: Quando o assunto é fazer boas cópias de fitas de sucesso internacional, ninguém supera os italianos, responsáveis inclusive pela criação do termo “Cinema-Bis”. Neste caso, temos uma cópia que consegue ser melhor que o original, o americano A Bolha (1958).

Lançado um ano depois do filme estrelado por Steve McQueen, Caltiki, il Monstro Immortale é uma verdadeira jóia esquecida do cinema fantástico italiano. A conturbada produção repete um pouco a história de I Vampiri, considerado o filme que inaugurou o cinema de horror no país da bota: o diretor Riccardo Freda abandonou as filmagens antes da conclusão, deixando o comando para o então diretor de fotografia Mario Bava. Em entrevistas posteriores, o próprio Freda disse considerar este um filme mais de Bava do que seu. De uma forma ou de outra, o que vemos é uma sucessão de idéias visuais encontradas posteriormente nas futuras obras do cinematógrafo, que no ano seguinte dirigiria seu primeiro filme sozinho, o seminal A Máscara de Satã.

O filme começa com um grupo de pesquisadores acampados em plena selva mexicana procurando indícios sobre o fim da civilização Maia, quando um dos membros da equipe chega aos prantos, pronunciando o nome da divindade Caltiki. Quando o resto da equipe parte para investigar o ocorrido, encontra a câmera do outro pesquisador desaparecido dentro de uma caverna-templo radioativa, até então desconhecida. De volta ao acampamento, o conteúdo da película revela que os dois homens foram atacados por algo, numa cena que pode ser considerada o embrião do polêmico Canibal Holocausto (e consequentemente, de A Bruxa de Blair).

Retornando à caverna, os exploradores são atacados por uma gosma ácida, que acaba grudando no braço de Max, amigo do protagonista da fita, o Dr. John Fielding. Levado de volta à Cidade do México, os médicos conseguem remover a goma, mas concluem que uma substância venenosa que entrou na corrente sangüínea do rapaz o levará à loucura, e depois à morte.

Alguns testes revelam que a criatura é um ser unicelular (!), mas que só se mantém ativa na presença de radiação. Todos estariam a salvo se, naquele exato momento, um “conveniente” cometa radioativo não estivesse passando próximo a Terra, despertando, assim, a criatura. E para piorar a situação, o contaminado Max, apaixonado pela esposa do Dr. John, foge do hospital e vai atrás da mulher, que se encontra em casa, na companhia de um pedaço da gosma, prestes a atacar.

Caltiki revela-se uma mistura de terror e ficção-científica típica da época (década de 50), mas com um diferencial: monstra cenas de horror gráfico que só apareceriam com toda força no ano seguinte, em produções como a japonesa Jigoku, de Nobuo Nakagawa e a já citada A Máscara do Demônio.

Apesar de ser cópia de um “filme B”, Caltiki consegue ser mais “grandioso” que o original, comparando-se as locações, cenários, figurantes etc., sem contar a superioridade técnica dos italianos. Um exemplo dessa “grandiosidade” podemos ver no final, quando o exército dá as caras, munido de lanças-chamas (o original mostrava apenas bombeiros com extintores de incêndio, denotando suas limitações orçamentárias), ou mesmo nas cenas subaquáticas no lago no interior da caverna. A própria criatura aqui é bem mais “interessante”: enquanto a Bolha é apenas gel avermelhado, Caltiki parece uma bolsa escrotal gosmenta.

Diante desses detalhes, considero “Caltiki, il Mostro Immortale” uma boa opção aos apreciadores de filmes de ficção científica do período, ou mesmo do cinema italiano, até pelo contexto histórico em que ele surge (é um dos primeiros filmes do grande Mario Bava).

Nota:

Ficha Técnica:
Título Original: Caltiki, il mostro immortale
Título(s) Alternativo(s): Caltiki, the immortal monster
Direção: Riccardo Freda e Mario Bava
Elenco: John Merivale, Didi Perego, Geràrd Herter, Daniela Rocca e Arturo Dominici
Ano: 1959
País: Itália / EUA
Duração: 75 minutos

Posted in: Ficção, Terror