As Aventuras de Sérgio Mallandro (1985)

Posted on 01/02/2011 por

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O filme não é considerado um dos piores – senão o pior – da história do cinema brasileiro à toa.  Mesmo sabendo que ele foi rodado numa época de vacas magras da sétima arte nacional, mesmo considerando toda devoção hoje existente à cultura dos anos 80, não é possível chegar a outra conclusão: o filme é muito ruim.  Mais que isso, ele é tosco!

Para começar, os atores do filme fazem parte da pior casta que já figurou em películas tupiniquins: Sérgio Mallandro (que até hoje eu não sei se escreve com um ou dois “l”) no papel de Sérgio Mallandro é o protagonista da história – pelo título, nem podia ser diferente.  Pedro de Lara, com longa cabeleira e barba, faz papel do antagonista Dom Pedro comanda uma trupe que não pronuncia uma palavra sequer durante toda a projeção.  Alexandre Frota tem uma aparição relâmpago, em papel sem nome, e dispensa comentários.  Uma criança que nem sabe falar direito faz papel de uma criança que não sabe falar direito.  Um macaco faz papel de macaco…  Essa mistura louca de personagens é colocada à disposição de um roteiro pastelão – beira o ridículo – que não se salva nem pelos trejeitos loucos típicos do ator e personagem principal – exceto para os fãs de Sérgio Mallandro, como eu.

Não é só: o filme conta ainda com “participações especiais” – escritas entre aspas por motivos quase óbvios – de Paulinho Cintura, no papel de Paulinho Cintura, Mara Porreta – hoje conhecida como Mara Maravilha, Absyntho (Meu Ursinho Blau Blau) e o eterno palhaço Carequinha.  Esses três últimos fazem um pequeno show no que parece ser o posto 8 (com direito a teclado apoiado sobre caixas de cerveja vazias sem nenhum fio a ligá-lo à rede elétrica ou a amplificadores).

A música parece ter sido feita especialmente para o filme.  Um coro de crianças canta o tema principal da trilha em vários momentos da trama – os mais alegres, especialmente.  Os momentos de tensão são acompanhados por solos bisonhos de instrumentos dos primórdios da era eletrônica.

Depois de tudo isso, o leitor deve estar se perguntando: o que salva no filme?  Vale a pena vê-lo?  A resposta é quase óbvia: não, não vale a pena vê-lo.  Mas, com muita boa vontade, dá para salvar o Rio de Janeiro daquela época: a Lagoa sem urbanização, a Barra sem asfalto, os antigos postos do Corpo de Bombeiros na orla…  Bala de troco.

Nota:

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