Inverno de Sangue em Veneza (1973)

Posted on 21/01/2011 por

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Para inaugurar o blog, vou republicar, com pequenas adaptações, um texto meu originalmente postado no finado blog “Projeto 365”, no ano de 2005.

Divirtam-se!

Inverno de Sangue em Veneza (1973)


Sinopse: Arquiteto trabalha na restauração de uma igreja em Veneza, enquanto se recupera, junto com a esposa, da morte de sua filha. Entretanto, o encontro com duas irmãs videntes e uma série de misteriosos assassinatos irão mudar suas vidas para sempre.

Comentários: Trata-se do terceiro longa dirigido pelo então veterano Nicolas Roeg (que já havia trabalhado como diretor de fotografia para cineastas como François Truffaut, Roger Corman e David Lean), e uma de suas obras mais festejadas. Inverno de Sangue em Veneza mostra todos os atributos de um artista visual, mestre na poesia imagética.

Após a brilhante – e triste – introdução, onde vemos o casal perdendo a filha em um acidente doméstico, somos levados a uma Veneza ao mesmo tempo apaixonante e repulsiva: enquanto a bela arquitetura histórica nos envolve, somos tomados por um clima claustrofóbico quando vemos os protagonistas espremidos entre as passagens escuras e canais apertados da cidade. Roeg também cerca o filme de imagens simbólicas, que vão dando pistas do que está por acontecer, mas que dificilmente possibilitam ao espectador descobrir o desfecho do filme antes de sua conclusão.

John e Laura Baxter, vividos por Donald Shuterland e Julie Christie, ainda não recuperados da morte da filha – sobretudo a mulher – têm sua relação abalada quando ela conhece duas irmãs em um restaurante. Um delas, cega, diz ter visto a filha falecida do casal ao lado deles, na mesa. O marido, cético, não acredita nas mulheres, e passa a entrar em conflito com a esposa quando esta fica obcecada em estabelecer contato com o espírito da filha através das irmãs.

A trama vai se desenrolando à medida que Jonh começa a ter premonições, principalmente quando ele vê um vulto com uma capa vermelha – a roupa que sua filha usava quando morreu – correndo pelas vielas de Veneza. No ápice do filme, com o arquiteto perseguindo a figura, temos o inesperado desfecho, quando todas as peças do quebra cabeças imagético de Roeg se juntam.

Um dos elementos técnicos mais impressionantes da película é a edição. O filme foi montado de maneira incomum, intercalando lapsos temporais, por vezes sincrônicos, por vezes não. Algumas das passagens onde esse efeito causa maior impacto são a da morte da filha na já citada abertura, e na cena em que o casal faz sexo, quando as imagens de carícias se alternam com imagens dos dois já se vestindo para sair, após a relação. Com certeza, obra de um poeta da imagem em movimento. Mas talvez o maior mérito deste filme, tenha sido conseguir juntar de maneira coesa os gêneros drama e terror, combinando o elemento do sobrenatural com a figura do assassino em série.

Nota:

Ficha Técnica:
Título Original: Don’t Look Now
Título Nacional: Inverno de Sangue em Veneza
Direção: Nicolas Roeg
Elenco: Donald Shuterland, Julie Christie
Ano: 1973
País: Itália/Reino Unido
Duração: 110 minutos

Posted in: Drama, Suspense, Terror